cuide da sua alimentação

E quando a mulher não pode dar o peito?


O outro lado da amamentação

Amamentar não é apenas dar o peito, é muito mais do que isso, é o cuidado, o carinho, o contato e é quando o vínculo mãe-bebê se fortalece. Quando estamos grávidas, a fantasia da amamentação nos leva a pensar em um momento mágico, único e muito prazeroso. Em muitos casos isso não é verdade, para muitas mulheres é difícil, causa dor, ansiedade, e insegurança.

Algumas mães podem achar que amamentar é simplesmente colocar o bebê no peito e pronto, porque passaram ou ouviram experiências boas, além das propagandas e campanhas de amamentação que são lindas, mas outras mães sentem dor, têm bebês que são mais preguiçosos, tem mastite ou não gostam da sensação de amamentar, já ouvi mulheres dizerem que se sentiam uma “vaca leiteira”.

A importância da amamentação é inquestionável, é preciso ter cuidado para não deixar que esse lado, nem tão bom, sirva de desculpa para algumas mulheres que estão passando por outros problemas e não sentem vontade de cuidar do filho.

A hora da amamentação deve ser, preferencialmente, nos primeiros três meses, sem interrupções, em um ambiente tranquilo, no qual a mãe e o bebê possam se olhar, se conhecer e se namorar.

O pai deve participar sempre que possível, proporcionando calma no ambiente, colocando o bebê para arrotar e dando suporte para a mãe naquele momento.

Quando falo em amamentar, não falo apenas do ato de dar o peito, mas também do ato de dar a mamadeira. Quando a mulher não pode dar o peito ou precisa dar o complemento, na maioria das vezes ela sente grande insegurança, culpa e incapacidade de nutrir seu filho, pois no imaginário da maioria das pessoas, boa mãe é aquela que amamenta dando o peito. Em alguns casos o marido também culpa a mãe por não dar o peito, além da cobrança de outras pessoas e familiares. Uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem quando encontram alguém que acabou de ter filho é: “E você, tá amamentando?” (referindo-se a dar o peito).

Precisamos mudar essa ideia, pois a mulher que dá mamadeira é tão boa mãe quanto a que dá o peito, a mãe deve sim tentar dar o peito o máximo possível, o colostro, principalmente, é rico em anticorpos que passarão direto para o bebê, mas ela não estará deixando de cuidar do filho quando não tiver mais leite ou se, por qualquer outro motivo, não puder mais dar o peito. O vínculo materno-filial será igualmente estabelecido, basta a mãe e o pai propiciarem o mesmo ambiente acolhedor e tranquilo na hora da amamentação, independente de ser no peito ou na mamadeira.

O aleitamento materno deve ser incentivado sempre; de fato é uma experiência única, porém, existem mulheres que já sabem, antes de ter o bebê, da sua impossibilidade de dar o peito e nem por isso serão menos mães do que as que darão o peito.

A mamadeira em muitos casos é uma grande aliada e não uma intrusa na relação mãe-bebê.

Beatriz Vieira do Amaral é psicóloga clínica. Veja mais em colunistas Materna.

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