
O casamento é uma união em que, entre outras condições, a confiança, o amor, o respeito mútuo, a cumplicidade e a fidelidade são fundamentais para um bom relacionamento.
Muitas vezes, a decisão do casamento pode ser precipitada, ser motivada apenas por valores culturais, religiosos, financeiros ou – em alguns casos – com o intuito de sair da casa dos pais e seguir uma nova vida sozinho.
Enfim, as motivações para o matrimônio podem ser diversas, porém, muitas vezes,o casal percebe em algum momento que existe algo que não está bem, que algo mudou, se perdeu e alguma atitude precisa ser tomada para resolver a situação.
Quando existem filhos frutos dessa união, as coisas ficam um pouco mais complicadas. É um momento difícil e doloroso para os pais e pode ser ainda mais difícil para os filhos; por isso, deve-se auxiliá-los nesse momento.
A criança até os 6 anos vive em uma fase egocêntrica, em quetudo gira em torno de si, sente-se o personagem principal das situações que a rodeia; por conta disso, pode se sentir culpada inconscientemente pela saída do pai ou da mãe do seu lar, e os sentimentos a respeito da separação de seus pais podem ser muito confusos e desorientadores.
A criança precisa ser ouvida e o assunto esclarecido no momento em que acontece
A maioria das crianças tem dificuldade para compreender e expressar sentimentos através de palavras. Muitas escondem o que estão sentindo, tornando-se apáticas; outras demonstram esses sentimentos de diferentes formas, atuando em comportamentos muitas vezes de hostilidade, agressividade, melancolia, surgindo sintomas físicos inexplicáveis; tudo isso perdura enquanto ela não aceita a separação dos pais.
As crianças que não expressam esses sentimentos, sufocando-os dentro de si, estão mais propícias a terem problemas no futuro, tornando-se adolescentes ou adultos inseguros no que se referem a relacionamentos afetivos.
Muitos pais acreditam que estão ajudando seus filhos ou protegendo-os, fazendo que eles não falem ou esqueçam o problema, porém, na realidade, desconsideramum acontecimento inesperado de mudança que pode ser decisivo para seu futuro.
Trata-se de um momento bastante delicado para as crianças e para os pais;é fundamental, portanto, que os pais tenham muita paciência e respeito em relação ao sentimento dos filhos, incentivando-os a falar sobre o assunto, expondo seus sentimentos e esclarecendo-os no momento exato da situação vivida. É necessário que os pais sejam sinceros, explicando à criança que a vida é repleta de mudanças, mas que o amor que sentem por ela sempre será igual.
Caso os pais tenham dificuldade em lidar com esses problemas, tanto como casal como com a criança, aconselho a procura de uma psicoterapia.
O processo de psicoterapia, além de propiciar uma orientação para os pais, por meio do brinquedo ou ludoterapia, possibilita a expressão dos sentimentos mais profundos da criança, e toda a família poderá passar por esse momento doloroso de forma mais branda.
Regina Rocha é psicóloga. http://www.psicologaregina.com.br




