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Como os pais devem lidar com a sexualidade infantil?

Esse é um tema que gera medo, dúvidas e inclusive angústia por parte dos pais. Os filhos vão crescendo e a ansiedade de que o assunto venha à tona se torna cada vez mais frequente, pois, via de regra, os pais, ou pelo menos a maioria, não sabem como lidar nem como responder a uma gama de perguntas; eles se perguntam: De onde ele tirou isso?

Vivemos em uma sociedade cada vez mais exigente, tendo cada dia menos tempo para dispor aos nossos filhos e aos cuidados de que eles precisam. Em suma, ninguém melhor do que pai e mãe para estar por perto e acompanhar cada passo dos nossos filhos, mas o medo e a falta de criatividade para responder tantas questões muitas vezes fazem com que os pais prefiram que esse papel, na educação sexual dos filhos, seja responsabilidade da igreja, da escola, ou de alguém mais capacitado. Acreditem! Ninguém melhor e mais capacitado para essa aprendizagem do que os próprios pais.

Encontre uma forma de responder as dúvidas do seu filho

Falo em aprendizagem, pois os pais não têm obrigação de saber de tudo e de responder tudo prontamente, mas, nesses casos, devem estar abertos para descobrir junto com seus filhos e deixando claro de que se eles não sabem, podem descobrir juntos.

Os pais podem sugerir procurar as respostas em um livro ou, quando isso não for possível, manter o compromisso de que quando obtiverem a resposta compartilharem com seu filho. É importante nunca o deixarem sem resposta, nem fingir ter esquecido.

Se deixá-lo sem resposta ele passará a não mais questionar a você e irá fazê-lo onde supostamente a resposta não seria tão adequada quanto a sua. Procure em livros, na internet, em sites confiáveis ou mesmo peça orientação a um profissional se isso for possível, mas responda.

Como responder as perguntas?

Geralmente a partir dos 4 ou 5 anos as perguntas começam a se tornar mais elaboradas e os adultos ficam se questionando de onde vieram essas dúvidas? Quanto menor for a criança, mais simples deve ser a resposta. Mas antes de responder, pergunte primeiro onde foi que ele ouviu? Quem disse? O que ele entende por aquilo? Depois, responda a verdade, nunca minta.

Crianças de 10, 12 anos já apresentam uma noção mais avançada de anatomia, portanto as respostas devem ser dadas com os nomes corretos dos órgãos genitais.

Já a partir dos 14 anos, o diálogo deve ser o mais aberto possível.

Esclarecendo outras possíveis dúvidas:

Meninos só brincam com meninos e meninas só brincam com meninas?

Lidar com as diferenças faz parte do nosso desenvolvimento. Aprender a diferenciar e respeitar o sexo oposto é um grande avanço e isso só é possível quando eles passam a conviver juntos, se respeitando.

Qual é a faixa etária ideal para as brincadeiras?

Via de regra, sempre é bom crianças brincarem com crianças da mesma faixa etária, nunca juntar faixas etárias tão distintas sem a presença vigilante de um adulto. Essa diferença de faixa etária nunca deve ser superior a 2 ou 3 anos; quanto mais nova a criança, menor deve ser essa diferença. Crianças tocam os genitais e sentem curiosidade em fazer isso com outras crianças; isso é bastante saudável quando se trata de crianças mais novas, de até 5 ou 6 anos. Nesse momento, se ensina que aquilo deve ser feito com privacidade, nunca punindo, culpando ou castigando, pois isso faz parte do desenvolvimento da criança

Questões sobre pedofilia e abuso sexual – Como prevenir?

Vivemos em um mundo globalizado e de difícil restrição dos espaços onde a criança se insere. Crianças pequenas não vão a boates noturnas, mas podem encontrar pornografia em casa pela internet. É difícil controlar o tempo inteiro e saber onde estão navegando. No entanto, essas situações de abuso, pedofilia e exploração infelizmente não existem só na web.

Há um número muito maior de crianças abusadas do que as denúncias e pesquisas apontam. A prática de consultório nos permite verificar que elas existem em número muito maior do que se imagina. Nesse sentido, é preciso que os pais tenham esse cuidado desde cedo. Instruir que o corpo da criança é só dela e que só ela pode mexer é um recado importantíssimo. Pois crianças pequenas são muito vulneráveis ao toque de outros, tendo em vista que geralmente alguém lhe dá banho e escova os dentes; elas permitem facilmente que um adulto, adolescente ou mesmo uma criança mais velha seja invasivo sem que ela tenha a mínima noção do mal que lhe ocorre.

A melhor forma de agir

É importante preparar uma criança desde cedo com relação aos cuidados com o seu corpo e com a própria sexualidade, ensinando, por exemplo, antes de a menina menstruar o que irá acontecer.

Temas relacionados ao namoro também devem ser conversados antes de a menina pensar em paquerar, e esse diálogo deve prescrever aquilo que os pais esperariam dele quando esse momento vier a acontecer.

Antecipar que o sexo virá, também funciona da mesma maneira. Não deixe para falar em namoro depois que seu filho tiver dado o primeiro beijo, nem deixe para falar em gravidez e escolhas amorosas depois delas feitas. Antecipar os momentos da vida adulta de forma bastante tranquila e honesta, deixando sempre espaço para o diálogo, é o melhor caminho para evitar surpresas e prevenção.

Keila Oliveira é psicóloga e terapeuta sexual.

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