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Conversa + informação = fórmula para evitar gravidez na adolescência

Um tema geralmente esquivado por muitos pais de adolescentes é o sexo nessa fase da vida. Via de regra, ninguém quer uma gravidez indesejada, ainda mais jovem, em que muita coisa muda – o corpo, a cabeça, os hormônios. Nem são ainda adultos e nem são mais crianças.

A adolescência se caracteriza como um período da vida muito egocêntrico, no qual eles necessitam de mais autonomia, liberdade e espaço próprio. As opiniões e os valores vão sendo formados, bem como a necessidade de autoafirmação de quem se é na vida. Pergunte a um adolescente se ele deseja ser pai ou mãe nesse momento e obviamente a resposta será “não”, e um não com um fundo bem repulsivo.

Mas daí, as coisas acontecem. E quando acontece ninguém está preparado para a notícia: uns se revoltam, outros não aceitam de cara, alguns se espantam e isso poderia acontecer em qualquer lugar, menos onde nós estamos. Esse tipo de atitude e pensamento envolve tanto os pais dos adolescentes quanto os próprios adolescentes.

O fato é que, mesmo as coisas acontecendo, parece que as pessoas nunca se preparam para ela:quando se pensa que está na hora de começar a falar isso com os filhos, o indesejado já aconteceu, já é tarde.

Muitas são as propostas de trabalhos educativos nas escolas sobre gravidez, DSTs, Aids etc. Paralelo a isso, muitas também são as discordâncias dos pais nesse sentido, pois a opinião de que falar sobre sexo só vai estimulá-los a fazer ainda é muito forte e também muito equivocada.

Conversar e informar possibilita a opção pelas melhores escolhas

As pesquisas feitas nessa área só apontam que quanto mais informação os adolescentes tem sobre sexo, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, menores são os índices de gravidez e de doenças relacionadas ao sexo. Saber mais sobre o tema não os incentiva a fazer, o objetivo é outro.

Quando se sabe de algo, se tem a opção de escolha entre o que se quer ou não se quer. Se eu souber que se fizer sexo sem camisinha eu posso engravidar, então eu posso escolher usar ou não usar.

A questão é que os pais ainda têm no imaginário a fantasia de que é possível que adolescentes de 14 anos façam sexo, mas o meu ainda não faz ou nem vai fazer. Sendo assim, melhor esperar que a escola fale, ou que ele cresça um pouco mais, porque no momento eu não me sinto preparada para falar sobre isso com meu filho ou com minha filha, afinal, ele/ela ainda é muito jovem. Eles fazem aos 12, 13, 14, 15, mais tardiamente aos 18, 20, e em número cada vez mais incontável acima dos 20.

Testar o sexo faz parte do processo de amadurecimento do adolescente

Outro ponto muito equivocado é achar que eles já sabem tudo que precisam para tomar as decisões corretas. Outra vez, a prática clínica e as pesquisas sobre os temas apontam que eles ainda não estão sabendo tudo que deveriam saber para tomar como posição escolher ou não escolher. Ainda falta muita informação e, é claro, informação de boa qualidade e da forma correta. Muitas pessoas que trabalham sobre o tema não estão preparadas como deveriam.

Os pais pensam que os filhos, por não serem capazes do próprio sustento e por ainda não terem maturidade suficiente para prover uma família, não teriam ainda o direito de ter uma vida sexualmente ativa.

O fato é que eles estão amadurecendo, estão crescendo, se desenvolvendo, e o corpo também. Eles estão se descobrindo, e isso inclui a descoberta do próprio corpo e do corpo do parceiro. Estão amadurecendo e testar o sexo faz parte tanto desse amadurecimento quanto da necessidade que eles sentem de conhecer o desconhecido.

Se os meus pais podem e acham legal, porque eu também não posso?

Keila Oliveira é psicóloga e terapeuta sexual.

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