
Por Claudiana Cabral
A publicitária Alessandra Vasquez ganhou o Sling de uma amiga e usou desde a primeira semana de vida de sua filha Camila: “Como tinha meu filhinho com dois anos, o Sling foi, praticamente, meu ‘terceiro’ braço. Eu dava graças a Deus por tê-lo, me ajudou muito, principalmente nos dois primeiros meses. Eu arrumava a casa, dava comida para o meu filho com a bebê no sling. Conseguia ir com os dois, sozinha, a alguns lugares , como a padaria ou o shopping, nem usava o carrinho, era só o Sling.” Alessandra ficou receosa quanto à posição correta, então, procurou ajuda no GAMA, Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, e depois de uma reunião com outras mães, realizada pela professora de técnica Alexandre, Ana Thomaz, perdeu o medo: “A Camilinha amava o Sling, ela se adaptou muito rápido, pois, usei desde a primeira semana. Ela ficava realmente muito calma e geralmente dormia no Sling.”
Qual a diferença em transportar a criança no carrinho e no Sling?
O toque. Mantendo o bebê próximo ao seu corpo, a mãe “reproduz” os vínculos que a vida uterina lhe proporcionava. O bebê se sente protegido e desenvolve melhor suas potencialidades. “A memória intrauterina do bebê é muito recente, o colo da mãe com certeza lembra muito o útero: tem o balanço, o calor, o cheiro e o som do seu coração. Nesse ambiente, o bebê tem sua circulação e digestão estimuladas”, expõe a consultora e produtora de carregadores para bebês, Rosangela Alves. A professora Ana Thomaz que ensina seus alunos a reencontrar equilíbrio anatômico, fisiológico e sensorial do corpo, enaltece os benefícios: “ Tenho três filhos e os dois últimos foram carregados desde os primeiros dias no Sling. Para o bebê, o Sling é um lugar seguro, onde ele sente todo seu corpo apoiado, sente calor do corpo da mãe, sons do coração e da voz. Por meio dos movimentos do corpo da mãe o bebê também “gasta energia”, suas perninhas ficam flexionadas e todos os elementos farão com que o bebê durma profundamente e ajudarão na diminuição de cólicas. Para a professora, o bebê carregado no Sling demonstra mais interesse pelo mundo ao seu redor”.
Papai canguru
O gerente de relacionamento corporativo, Thiago Dantas usa o Sling para passear com seu filho: “O pequeno Davi se adaptou super bem e eu me sinto seguro e confortável. Ele nunca chora quando está no Sling”.
“ É importante ‘entender’ que o bebê já nasceu, então no primeiro momento, eles não gostam de ficar com a cabeça dentro do Sling. O carregador é uma espécie de útero com janela. Então ele quer ficar olhando pela janela, é comum a mãe chegar às slingadas (encontro de mães e pais que acreditam que colo e o bebê foram feitos um para o outro) falando que o bebê chora muito quando colocado no Sling. Aí, eu pego o bebê e coloco seu rostinho para fora do Sling, ele fica ali, quietinho, só curtindo o balanço”, relata Rosangela.
Pais sempre precisam de uma mãozinha a mais
“O benefício para os pais é que podem ficar com as mãos livres para outras atividades, já que nesta idade os bebês requerem muita atenção e colo. Para mulheres, principalmente, que no pós-parto apresentam abdômen flácido e fraco, ao sustentar o bebê com ajuda do Sling e não projetando sua pelve para frente, podem evitar as dores nas costas por má postura. Sling faz com que mãe e filho fiquem numa posição confortável, e os bebês nesta fase apresentam muita cartilagem, os ossos ainda não estão totalmente formados, leva algum tempo, por isso não ocasiona dores nas costas do bebê.” esclarece a fisioterapeuta Eliane Brait.
Os intocáveis
A pele é o maior e mais sensível órgão humano. Sua importância, por vezes, passa despercebida aos nossos olhos. O antropólogo britânico, Ashley Montagu, em seu livro -– Tocar: o significado da pele humana –, cita a importância do toque em diferentes sociedades e lamenta a dolorosa privação da experiência sensorial que sofremos no mundo tecnológico. Segundo ele, o ocidente estimula o sentido visual, mas negligencia o toque, ao ponto de produzirmos humanos intocáveis. Para o antropólogo, a linguagem dos sentidos, no qual o toque está incluso, é a primeira via de comunicação e ao exercitá-la ampliamos a valorização do outro e do mundo em que vivemos. O bebê que vivencia em seu cotidiano o toque dos pais desenvolve melhor seus potenciais, sua inteligência. Sente-se integrado e seguro.
O toque e seus efeitos
Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Toque, na Universidade de Miami, Estados Unidos, têm estudado os efeitos do toque. As pesquisas demonstram que o aumento de toques – especialmente em crianças – pode amenizar resfriados, diarreias, asma, dermatites, doenças cardiovasculares, dores crônicas, insônia e estresse. Isso pode ocorrer porque o toque reduz níveis do hormônio do estresse, o cortisol. Explicando, assim, o relato dos pais sobre a calma dos bebês quando estão no Sling.
Sua pele faz bem ao seu filho, usar o Sling é uma maneira de mantê-lo protegido, mas não economize nas massagens, nos cheirinhos e nos beijinhos.
“O amor e a humanidade começam onde começa o toque: no intervalo de poucos minutos que seguem ao nascimento”, Ashley Montagu.




