Por Claudiana Cabral
Dariany tem uma intimidade surpreendente com a cozinha, gosta de inventar. Descendente de italianos, improvisava um sushimi com uma faca que pouco contribuía com a causa. Ao mesmo tempo, serve Kani-kani com mostarda. Você cozinha profissionalmente? Pergunto. “Não, isso é da minha mãe, ela sempre gostou de inventar na cozinha e acabei aprendendo com ela”.
Toda mãe se reconhece em seu filho. Mas será que os filhos se reconhecem em suas mães?
Durante a adolescência é comum os filhos se afastarem dos pais. Dariane, não fugiu a regra. Não entendia a rigidez da mãe em relação ao seu comportamento. Afinal, ela era uma jovem do século XXI. Entre discussões e invenções na cozinha, a vida seguia seu curso. Porém, em 2007, sua mãe adoeceu. Dariane pediu demissão do trabalho e decidiu dedicar-se apenas à mãe. Permaneceu com ela todos os dias, durante os oito meses de internação. “Durante esse período pensei muito sobre tudo o que ela me ensinou, sobre a nossa relação. Decidi que quando ela saísse faria diferente. Mas eu não tive tempo”.
Da protetora a companheira
Felipe Ibrahim foi um daqueles filhos muito apegados à mãe. Mas “com 12 anos percebi que minha mãe não era uma heroína, isso salvou minha vida. Na adolescência minha mãe deixou de ser minha protetora e se transformou em minha companheira. A relação ficou muito mais gostosa”.
Sua mãe, Vanda, sempre gostou de contar histórias. “Ela narra, com detalhes, mesmo sem ter presenciado”. Como num passe de mágica, pequenas situações cotidianas transformam-se em romances policiais. Não à toa, o filho, jornalista recém-formado, tem um pé nas letras. Vencedor de dois prêmios literários realizados pelo Jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto. Apaixonado por teatro e narrativas, agora busca seu lugar ao sol em São Paulo. Ligado à mãe por uma marca, ainda fica impressionado quando vê sua pinta no pé. Sua mãe também tem uma exatamente no mesmo lugar. Ou seria a mesma?
Hoje, com 31 anos e apaixonada, Dariane pensa em ser mãe no futuro: “ter um filho é uma benção. É a oportunidade de passar um pouco do que eu vivi, de ensinar, criar”. É curioso, “quando minha mãe era viva, eu falava: ‘eu não vou fazer isso com minha filha, eu não vou pegar no pé dela’. Mas hoje eu quero ser pra minha filha exatamente o que minha mãe foi pra mim. Vamos dizer que eu atualizaria os conceitos para minha época, mas seriam os mesmos. Todo filho acha a mãe chata, mas a mãe sempre pensa no bem do filho. Eu queria ter falado isso pra ela, dizem que eu falando agora ela escuta. Mas não sei se eu acredito nisso. Eu queria ter feito mais.”
Mãe vive para sempre dentro de nós
No fim das contas, todo filho tem um pouco de mãe, sempre acha que deveria ter feito mais e melhor. Mas elas, as mães, ainda estão em vantagem, desde muito cedo e antes das palavras, já aprendem a ler seus filhos. Um choro nunca é apenas um choro, um gemido é muito mais do um gemido. Afinal, mãe e filho já foram um só. E quando se é uno, não é preciso dizer, esta escrito no corpo e dito nos olhos. Aos poucos, os filhos percebem que mãe sempre está presente. Afinal, sua mãe vive em você.





