momento especial na vida da mulher

Atuação da doula - a serviço de quem?

O movimento de humanização do parto trouxe consigo uma figura muito importante e que pode ser fundamental para a gestante neste momento de sua vida.
Estamos falando da doula, uma profissional que originalmente tem por função oferecer suporte durante a gestação e preparar a mulher para o parto, acompanhando também o nascimento do bebê. Esta profissional acabou também por se tornar uma aliada da gestante quando esta não consegue encontrar profissionais que estejam dispostos a acompanhar seu parto da forma como ela acredita ser a melhor.
Assim, a doula pode ser de grande auxílio para que a mulher consiga buscar informações e encontrar uma equipe que a respeite neste momento tão importante.

No entanto, com o aumento do interesse pelos movimentos de humanização e consequentemente, o aumento da procura por esta profissional,  vimos uma distorção no papel que esta deveria desempenhar. É importante nos questionarmos a serviço de quais interesses se deu esta distorção…

Se por um lado estes movimentos pregam que humanizar o parto é também respeitar a vontade da mulher e seu protagonismo; por outro lado, e na contramão disso, encontramos profissionais que criticam as mulheres que desejam fazer uma cesariana, ou até aquelas que se recusam a dar continuidade ao atendimento às gestantes quando estas informam que “desistiram” de “tentar” o parto normal.

Particularmente acredito nos vários benefícios do parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê. Mas a partir do momento que trabalho com a humanização do parto e do nascimento, e consequentemente, com a humanização da saúde, fica claro que minha meta é, acima de tudo, ouvir e respeitar as decisões da gestante que acompanho. Não tenho o direito de depositar nela minhas expectativas e desejos; humanizar é acima de qualquer coisa, respeitar.

Não estou aqui fazendo apologia à cesariana, como muitos poderão pensar equivocadamente; principalmente aqueles que acreditam que a doula pode ser uma “arma” na guerra contra a cesárea (e sim, ela pode ser de grande ajuda para que a gestante encontre profissionais que atuem de acordo com o que ela deseja). Também não estou falando dos casos em que a gestante deseja um parto normal mas não encontra profissionais (ou não pode pagar por eles, mais uma triste realidade da “humanização”) que estejam dispostos a acompanhá-la. Isso é assunto para outro post…

Estou defendendo o movimento de humanização no atendimento à saúde, o respeito às pessoas. Como profissional atuante na área da saúde, tenho a obrigação de informar à gestante sobre os benefícios do parto normal, sobre os riscos da cesárea. Mas acima de todas as informações que ela irá receber, está o direito dela em escolher a melhor forma de dar à luz. E cabe a mim, como profissional que respeita o ser humano, acolher sua decisão.
O parto normal/natural é o melhor para a mulher que o deseja e que está preparada para vivenciá-lo. A mulher que deseja, ou ainda, que necessita de uma cesariana, não merece respeito, não merece cuidado, não merece acolhimento? Penso que passamos da hora de refletir sobre o papel essencial desta profissional.

Acredito que este sim é o papel da doula, da educadora perinatal. Ajudar na preparação durante a gestação, respeitar e estar junto apoiando as decisões da gestante, auxiliando-a a encontrar a melhor forma de dar à luz, que atenda à sua necessidade e disponibilidade naquele momento de vida.

Débora Meister Ortola
Doula, Psicóloga
Idealizadora e Coordenadora do Projeto Acolher
www.projetoacolher.com

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