momento especial na vida da mulher

No tempo da delicadeza


Gravidez de risco, o que muda na gestação

Por Claudiana Cabral

Uma gravidez sem percalços dura, em média, 9 meses, com a possibilidade de atingir 42 semanas, o­­­ que equivale a 294 dias de gestação. Mas por algum motivo além da física, o tempo é mais lento para as mães de risco. Juliana caminha como se pisasse em nuvens, seus pés parecem querer poupar sua filha do impacto do mundo externo. Ela estranha seu próprio corpo. O que mudou?

Em sua primeira gravidez, há três anos, perambulava de loja em loja atrás de cada pecinha que sua Letícia usaria no futuro. Hoje, grávida de sua segunda filha, Amanda, entristece-se por não viver uma gravidez fisiológica, mas sim um quadro patológico. “Estou com 36 semanas. Tenho placenta lateral (significa que a placenta está muito baixa, o que pode causar sangramento após o início do trabalho de parto) e com suspeita de acretismo placentário. E, também, o bebê está com a cabeça para cima”. Nessa fase da gestação, o bebê deveria estar de lado, em direção à pelve da mãe.

Casos de gravidez de risco

Placenta lateral e acretismo placentário são uns dos casos de gestação de risco. Além desses, os casos mais comuns são: “doenças hipertensivas específicas da gravidez, diabetes gestacional, gemelaridade, rotura da membrana amniótica precoce”, explica o pediatra Maurício Magalhães, que acrescenta a esses a gravidez na adolescência, obesidade, tabagismo ou uso de drogas.

Gravidezes tardias também alteram o curso da gestação, já que gestações com idades avançadas são mais arriscadas e, principalmente, se aliadas a tratamentos para fertilidade que podem levar à gemelaridade. Outra consequência é o aumento das cesarianas, o que leva a um maior número de prematuros que necessitam de cuidados em UTIs neonatais.

Repouso

Juliana passa a maior parte do tempo à espera da vida, à espera da Amanda, em repouso das atividades cotidianas: longe das tarefas de casa, excluiu qualquer atividade física, já não pode carregar peso. Juliana conta com ajuda da família e, principalmente, do marido.

Por vezes, quando está só, desvia das caixas ainda fechadas da mudança de dois meses atrás, e varre junto com o pó o medo fino e cortante de perder a filha. Mas ao chegar à varanda, depois de percorrer a casa, e ver a filha Letícia brincando pela casa se sente mais forte. Enche os pulmões e com aquele tom típico do falar materno reclama que Letícia passa muito tempo em frente à TV, mas no silêncio agradece, pois não conseguiria suprir toda energia contida no corpo de uma garotinha de 3 anos. Contorna a situação, dispensa a força e só com jeito molda massas com a filha, biscoitos e pães sem leite, já que Letícia é alérgica a proteína do leite.

Juliana sabe que é uma questão de tempo, sua gravidez deslizou de alto risco para médio risco e, agora, que está na última semana de gestação, para de baixo risco: “De uma semana para a outra, tudo mudou completamente, mudanças comprovadas por exames. Foi literalmente uma montanha-russa de emoções.”

Acompanhamento médico

Embora uma parcela pequena das gestações apresente riscos para a mãe e o bebê, o período deve ser acompanhado com cuidado. Para o Dr. Maurício Magalhães, consultar um médico, mesmo antes da gestação, pode ser um ótimo antídoto. Além de seguir as orientações médicas desde o início, o pré-natal é imprescindível.

Juliana, assim como cada um de nós, tem uma percepção única do que acontece à sua volta, mas diferente de muitos, ela é mãe. E como toda mãe, guarda um segredo, o mistério da vida.

Nota: Precavida, ela preferiu se resguardar, não negou uma conversa, mas ofereceu: podemos fazer as entrevistas por e-mail? Foi assim que o Materna, em outro espaço, entrou no tempo de Juliana.

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