
Por Claudiana Cabral
Para muitas mulheres, menstruar é sinônimo de incômodo e mal-estar. Já para outras, é um momento de reencontro com seu corpo, com sua feminilidade. O Materna quis saber:
Sagrada ou profana? A suspensão do ciclo menstrual é um procedimento seguro ou é a perda de um vínculo com nosso corpo?
Para responder essas e tantas outras perguntas contamos com a ajuda do ginecologista Elsimar Coutinho, autor dos livros Menstruação, a sangria inútil e Vivendo sem regras e sem TPM, e da terapeuta Ayurvédica, com ênfase na saúde da mulher e na alimentação, e mestranda em Ciências da Religião Sabrina Alves.
Natural ou cultural?
“Menstruar não é natural”, essa é a opinião do Dr. Elsimar Coutinho: “Há um equívoco quando se considera que todo fenômeno natural é bom. A vida é tão natural quanto à morte. A saúde é tão natural quanto à doença. Pior do que confundir a condição de natural como sinônimo de bom é considerar a hemorragia mensal como fenômeno natural. Natural é ovular e engravidar, parir e amamentar à vontade do bebê. Ao voltar a ovular, engravidar novamente e assim sucessivamente. A menstruação é fenômeno cultural, que se tornou possível somente com o desenvolvimento dos tecidos de algodão, linho e seda, que possibilitaram escondê-la. No mundo natural, qualquer animal que sangre vários dias se torna o alvo dos predadores que são atraídos pelo ‘cheiro’. Portanto, considerar um aborto ovular repetido mensalmente um fenômeno natural é um erro”. E completa: “A suspensão do ciclo menstrual também representa uma proteção contra várias doenças como anemia, endometriose, adenomiose, as cólicas, tensão pré-menstrual, cistos de ovário, além da infertilidade causada pela obstrução tubária”. Para o médico, qualquer mulher pode interromper o ciclo menstrual, seja seu intento prático ou para evitar os efeitos da tensão pré-menstrual.
Saber ou ciência
“Muito antes de a ciência desvendar as particularidades do sangrar feminino, as mulheres já haviam acumulado um saber visceral e prático a respeito. Porém, na história documental, foram os homens a teorizar. E eles continuam teorizando”, segundo Sabrina Alves. Para o autor do livro A inteligência hormonal da mulher, Dr. Eliezer Berenstein, a menstruação estabelece o equilíbrio entre os hormônios que invadem o cérebro da mulher todos os meses, ao longo do ano. Ao interrompê-la, a mulher colocaria em risco essa harmonia.
“Há ainda os especialistas que entendem o ciclo menstrual como um veículo sinalizador de que o óvulo não foi fecundado ou, ainda, que está tudo correndo bem com o organismo; já a ausência do ciclo menstrual regular pode indicar problemas nas glândulas tireoide e suprarrenal”, pondera a terapeuta Sabrina Alves. Ela completa: “As pesquisas que existem sobre a prática do uso da suspensão da menstruação com o uso de remédios não são extensas. E, mesmo que fossem, temos pouco tempo de uso do método. É a mesma coisa que os alimentos transgênicos. Não temos tempo hábil para saber as consequências do uso no corpo, mesmo que nesse caso já se perceba as consequências”.
Contraindicações?
Será que existe relação entre amamentação e menstruação?
A ausência da amamentação, no caso de um tratamento que forje esse estado, pode causar algum efeito colateral para mulher?
“A suspensão do ciclo menstrual equivale a uma gravidez sem bebê, mas não existe relação entre o ciclo menstrual e a amamentação. Essa relação só ocorre como sequência de uma gestação na qual as mamas se desenvolvem com essa finalidade”, explica Dr. Elsimar Coutinho.
“Não há possibilidade de comparar essa prática por meios artificiais à suspensão da menstruação que ocorre quando a mulher está grávida nem mesmo amamentando. Em ambos os casos a mulher está dando cabo dos hormônios, ora gerando o feto, ora transformando o sangue em leite. O corpo está dando atenção para a formação de outros tipos de tecido. Menstruar sob esse ponto de vista é uma grande oportunidade de pausa, reflexão e recomeço em diversos níveis”, enfatiza a terapeuta Sabrina Alves.
Escolha
A falta de informação e educação sexual são os motivos para a má interpretação da suspensão do ciclo menstrual, segundo Dr. Elsimar Coutinho: “Nos países mais desenvolvidos como os Estados Unidos, metade das mulheres já aderiram à supressão da menstruação. No Brasil, após a publicação dos meus livros, a supressão da menstruação já é adotada por mais de 30% das usuárias de anticoncepcionais. Nos Estados Unidos, os médicos elegeram a supressão da menstruação o quinto maior progresso da Medicina”.
“O importante é que a mulher seja capaz de discernir por conta própria sobre a saúde e o destino que quer dar para o próprio corpo”, expõe a terapeuta Sabrina Alves.





