qualidade para a vida da mulher

Quem é o terapeuta sexual?

Para muita gente, o nome causa estranhamento, mas nossa profissão é alvo das mais diversas fantasias por parte da população leiga. Pessoas inclusive já me perguntaram: “Mas como é que é feito? Tem uma cama no seu consultório e o casal precisa fazer sexo na sua frente?”. Esse é apenas um dos exemplos, pois nossa profissão é repleta de preconceitos e mitos, que na maioria das vezes não condiz com o trabalho terapêutico que é realizado. Proponho, neste artigo, desmitificar um pouco isso tudo.

Abaixo, estão elencadas as perguntas mais frequentes e que geralmente fazemos apenas para si mesmos(as):

Já teve a sensação de que encontrou a pessoa da sua vida, sua alma gêmea, a tampa da sua panela, mas o sexo não caminha muito bem?

Você é uma pessoa que sente muito desejo em fazer sexo, mas, na hora H, ejacula precocemente? Ou não consegue ter ereção?

Quando o dia termina, você já começa a imaginar que “hoje vai ter de ser”, porque já não tem mais desculpas para fugir do ato sexual e o seu parceiro(a) deseja, e você não?

Já não sente mais desejo e ainda sente dores terríveis?

Sua esposa ainda é virgem, mesmo depois de anos de casamento?

Por que não consegue sentir orgasmo?

Seu parceiro(a) não pensa em outra coisa a não ser sexo?

Por que você nasceu com o sexo trocado?

Por que você não sente atração por pessoas do sexo oposto?

Por que você não consegue superar ou esquecer a violência e o abuso sexual que sofreu?

Essas e muitas outras questões que causam intenso sofrimento, relativas não apenas ao ato sexual em si, mas à sexualidade como um todo, fazem parte do universo do terapeuta sexual.

Mas quem pode ser um terapeuta sexual? Somente médicos e psicólogos. O objetivo da terapia – que é focal, ou seja, trata de problemas específicos da sexualidade – empenha-se em reconhecer os conflitos, temores e desejos inconscientes que podem estar na raiz das dificuldades sexuais do paciente. Além disso, estimula exercícios de autoconhecimento e eliminação dos sintomas da disfunção sexual.

Muitas vezes o casal encontra-se disfuncional, e mesmo não tendo necessariamente uma disfunção sexual, passam por problemas de inadequação. Um quer sexo oral, o outro não gosta. Um gosta mais de uma posição que o outro não sente tanto prazer. E esse dilema vai crescendo, pois nunca encontram um meio termo quando o assunto é sexo. Esse tipo de conflito sexual é causa comum de separações. Por isso, antes de chegar ao extremo do divórcio, devem procurar ajuda especializada para fazer uma terapia sexual, que pode ser tanto individual como em casal.

Causas mais comuns para se procurar um terapeuta sexual: disfunção erétil masculina (antigamente conhecida como impotência sexual); ejaculação rápida (precoce); desejo sexual hipoativo (baixa de desejo, podendo inclusive sentir medo e aversão sexual); anorgasmia (ausência ou dificuldade em obter orgasmo, tanto feminino quanto masculino); vaginismo (dificuldade ou incapacidade em obter a penetração vaginal); dispareunia (dor intensa na penetração).

Alguns casos de disfunção sexual de origem orgânica reconhecida têm encontrado resultados significativos quando acompanhados por médicos e terapeutas sexuais, a exemplo da disfunção erétil causada por diabetes ou baixa de desejo na menopausa.

A maioria das pessoas com disfunção sexual sofre por 5, 10, 20, 30 anos ou mais até procurar um terapeuta, seja por vergonha, por preconceito ou pelo próprio desconhecimento desse profissional.

O fato é que a qualidade de vida e o bem-estar melhoram significativamente após a terapia.

Keila Oliveira é psicóloga e terapeuta sexual, www.sexologia-clinica.blogspot.com

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