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Nina Rosa e seu trabalho educativo pelos direitos dos animais

Kátia Peres, colaboradora do Materna, entrevistou Nina Rosa, ativista pelos direitos dos animais, protetora da natureza e idealizadora do Instituto Nina Rosa, uma ONG de trabalho voluntário, sem fins lucrativos, voltada à educação de valores e que tem como base fundamental o respeito ao reino animal e a ampliação da consciência humana sobre o tema.

Confira abaixo o resultado da entrevista, que teve como foco a conscientização das crianças.

O que a motivou para o trabalho de conscientização das crianças referente aos direitos dos animais?

Acredito que todos nascemos com o coração mais aberto à compaixão e solidariedade e, durante nossa infância e juventude, vamos aprendendo a ligar o “piloto automático”,  nos distanciando do coração, nosso verdadeiro mestre. Penso que muito da indiferença pelo sofrimento do outro que vemos por aí é resultado dessa desconexão.

A educação em valores a que nos propomos promover visa resgatar esses valores em crianças e adultos, tornando-nos seres mais integrais, equilibrados e, dessa forma, mais justos e pacíficos com os demais reinos da Natureza. Percebo, durante as palestras, como crianças e adultos têm carência de referências realmente positivas e o quanto isso os motiva.

O que busca com esse projeto?

Validar valores como ética, compaixão, solidariedade, amor e incentivar a coragem de fazer o bem.

Poderia citar algum exemplo no convívio com as crianças que a sensibilizou? Ou situações que apontam um caminho para a esperança da mudança?

Lembro-me de um exemplo de escola de ensino fundamental e médio que estava trabalhando durante um mês com o material pedagógico do vídeo Fulaninho, o cão que ninguém queria, produzido por nós. No final do projeto, que incluía desenhos e/ou dissertações, dependendo da faixa etária, dois alunos da escola, que eram considerados autistas (um de 8 anos e outro já adolescente) interagiram com a classe.

O adolescente escreveu uma história em quadrinhos sobre um garoto que queria muito ter um cachorro, mas que o pai não permitia; foi um emocionante relato, talvez autobiográfico, do amor que ele sentia pelos animais e de sua frustração por não exprimir esse sentimento. Talvez ele tenha se sentido autorizado a exprimi-lo para pessoas que no vídeo e no material pedagógico demonstravam muito amor pelo reino animal. O outro garoto fez um trabalho em grupo de cartazes sobre o que haviam aprendido com a história do Fulaninho. Segundo as professoras, foram demonstrações inéditas desses alunos.

Mês passado estava numa palestra em Minas Gerais quando um rapaz se aproximou para perguntar se poderia levar no intervalo seu filho de 3 anos que queria me conhecer. Conheci então o Lucca, vegetariano e defensor dos animais, que havia decorado o filme Vegana (animação de nossa produção).

Uma realidade que nos anima também é o resultado de uma recente pesquisa do Ibope que registrou 9% de vegetarianos no Brasil (9% mulheres e 10% homens!). Se pensarmos no número de habitantes, não é pouca coisa.

A educação das crianças no resgate de valores que possam transformar a realidade cultural – que vê o animal como mero objeto de exploração para o lucro – é fundamental. De que forma os pais podem fazer parte dessa conquista?

É importantíssimo que os pais sejam convidados a receber as mesmas informações que seus filhos, para que também sejam sensibilizados e reconheçam a realidade da exploração animal nos “bens” de consumo da rotina diária. Assim poderão entender os “novos” sentimentos dos filhos, pactuar com eles, conversar sobre o assunto, e não apenas rejeitar como algo desconhecido e incompreensível.

Sugerimos às escolas que façam “um sábado/domingo de cinema grátis na escola” (baseado no material disponível no Instituto Nina Rosa) e chamem as famílias dos alunos para assistirem aos vídeos que eles programaram para seus alunos.

O Instituto Nina Rosa produz e disponibiliza interessantes materiais educativos, como um filme em animação sobre o vegetarianismo transformado em gibi, recomendado para ser trabalhado nas escolas. E outros como o vídeo Fulaninho, o cão que ninguém queria, sobre a guarda responsável de animais de estimação, utilizado por milhares de crianças do ensino fundamental e médio nas escolas públicas e particulares do Brasil afora, e o vídeo documentário A carne é fraca, que tem transformado em vegetarianos incontáveis pessoas que, ao conhecerem a realidade dos abatedouros de animais, decidiram abolir a carne do cardápio.

Para mais informações, acesse o site http://www.institutoninarosa.org.br/

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