Pouco antes do feriado, o Projeto Criança e Consumo denunciou ao Procon de São Paulo as empresas Nestlé Brasil Ltda, Kraft Foods S/A e Chocolates Garoto S/A.
Nas semanas que antecederam a Páscoa, o mercado investiu agressivamente na comunicação mercadológica de ovos de chocolate com brinquedos, com o objetivo de atrair crianças. Não é a primeira vez que grandes empresas utilizam a estratégia, que, além de apelativa, é abusiva por se aproveitar da vulnerabilidade infantil frente ao consumo. Pouco antes do feriado, o Projeto Criança e Consumo denunciou ao Procon de São Paulo as empresas Nestlé Brasil Ltda, Kraft Foods S/A e Chocolates Garoto S/A por conta da venda de ovos de Páscoa com brinquedos.
A iniciativa das empresas foi caracterizada como venda casada – proibida pelo Código de Defesa do Consumidor –, pois só era possível adquirir o brinquedo com a compra do ovo de chocolate. Além disso, foram criados sites específicos para a data com apelo ao público infantil. “Com esse tipo de ação, as companhias induzem a criança a pedir o ovo de Páscoa para os pais. E nem sempre ela quer comer o chocolate, mas sim ter o brinquedo ou porque seu personagem favorito está na embalagem do produto”, explica Isabella Henriques, coordenadora-geral do Projeto Criança e Consumo. Ela lembra que, no caso dos ovos de Páscoa, há outro agravante: os pequenos são incentivados a consumir grande quantidade de chocolate industrializado, que pode ser prejudicial à saúde se ingerido em excesso.
Analisando os supermercados de todo o país, não é raro encontrar promoções de ovos com brindes como bonecas, gravadores e até lanternas. Além disso, a variação de preços entre ovos simples e ovos com brinquedos é muito grande. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), 100g do ovo Fadas Nestlé (180g por R$ 23,56), por exemplo, é três vezes e meio mais caro que a mesma quantidade do chocolate ao leite Classic Nestlé em barra (170g por R$ 4,80).
Como se não bastassem os preços abusivos, muitas marcas usam, além dos brindes, personagens licenciados para ilustrar as embalagens que envolvem o chocolate. É o caso do Smilinguido, cartoon infantil usado pela Garoto para promover a venda de ovos de Páscoa. O “Blog do Coelho”, criado pela marca, estabelece contato com as crianças por meio de brincadeiras e também anúncios explícitos do produto. “Até os 12 anos, as crianças não entendem plenamente as complexas relações de consumo, bem como não identificam o caráter persuasivo e venal da mensagem publicitária”, afirma Isabella.
Notificação
Reincidentes na estratégia de vendas de ovos com brinquedos, Nestlé, Chocolates Garoto e Kraft foram formalmente denunciadas no Procon. Mas não são apenas essas marcas que quiseram atrair a atenção do publico infantil. Neste ano, a Qualitá, marca exclusiva do Grupo Pão de Açúcar, também investiu em campanhas de divulgação de seus produtos para a Páscoa. Dos 22 tipos de ovos de chocolate vendidos pela marca, 14 eram voltados para crianças, com licenciamento de personagens conhecidos do público infantil como o ‘Peixonauta’, ‘Susi’, ‘Penelope’, ‘Naruto’, ‘Wolverine and The X-Men’ e ‘Hanna Montana’. Os ovos do Pão de Açúcar foram vendidos com brinquedos, que iam de bichos de pelúcias, copos, pratos, mini boneca, gloss, bandana, carrinho, e até uma bolsa.
A marca também lançou um concurso “Páscoa Charmosa”, para crianças menores de 12 anos, no qual a autora da melhor frase no Twitter @SouPenolope ganhará prêmios e ”um dia de Penelope” no salão de beleza do cabeleireiro Marcos Proença (conhecido por atender diversas atrizes famosas). O Projeto Criança e Consumo enviou carta ao Pão de Açúcar questionando a estratégia.




