
Por Claudiana Cabral
Desenvolvido pela musicista Isadora Canto, o curso Acalanto, é voltado para gestantes a partir da 21ª semana – período que o bebê começa a ouvir sons externos. O curso que tem como intuito o bem-estar das mães, mostrando caminhos de comunicação sensorial e fortalecendo os laços afetivos. O Materna participou um dia, dos quatro encontros que compõem o curso.
Tendo como parceira a gestante, Patrícia Juliani, que expressou o binômio comum entre as mães: “estou ansiosa pelo nascimento, mas minha vontade é ficar mais tempo com ela dentro de mim”. Por meio de exercícios lúdicos o encontro promove o relaxamento da mãe, aguça os seus sentidos e amplia suas percepções rítmicas, oferecendo repertórios que facilitem as transformações que estão por vir. “A música tem um pulso, o coração tem pulso. Quando se é mãe a vida ganha outro pulso, outro ritmo. É preciso sentir, ouvir o pulso que a vida traz e improvisar, se adaptar.
Entender o ritmo do bebê, o ritmo das trocas de fraldas, das mamadas, do soninho. Até mesmo o ritmo do parto.” explica a idealizadora do curso, Isadora. Durante o dia do encontro do qual participamos, a gestante Patrícia dançou, cantou e fez estimulação instrumental: colocando e tocando kalimba, tambor da água, colar de sementes e sino exotérico, bem junto à sua barriga. “Eu pensava em sons melódicos para a minha bebê, mas nós gostamos do colar de sementes, ela se mexe quando escuta. O curso é uma oportunidade de deixar tudo lá fora e pensar só nela (na filha), em coisas boas.” revelou a futura mãe. Segundo a musicista: “as vibrações da voz da mãe são como massagens para o bebê.
Não importa se mãe é afinada ou não, o filho gosta da voz dela”. Além da estimulação com os instrumentos musicais e o canto, o curso trabalha o imaginário da mãe, que compõe uma canção especialmente para seu filho, pratica visualizações e jogos criativos. É também uma boa oportunidade para os pais se aproximarem dos filhos: “Quando o pai vem, ele aplica a estimulação instrumental na mãe, enquanto ela fica observando a resposta do bebê, quando ele mexe, é uma resposta. É um momento muito bonito. O pai se conecta com seu filho, que por vezes parece distante, ali na barriga de sua esposa.” Ressaltou Isadora. Vínculos entre pais e filhos extrapolam o corpo e até mesmo a “gestação natural”. Em depoimento enviado à musicista, Roberta Fernandes, relatou que o CD Acalanto, que integra o curso, embalou sua “fertilização in fórum”, ou seja, sua espera pela habilitação no processo de adoção de sua filha Laís: “a música Reconhecimento embalou os momentos mais doces da minha “gestação”.
Deitava na cama e colocava sempre essa faixa, em especial, que rodava horas e horas, esquecida. Ficava ali quietinha, meditando e acariciando minha neném em pensamento. Não sabia onde ela estava e nem quando iria chegar, mas a doce melodia da música estreitava bastante nosso contato espiritual. Era também essa música que tocava quando ela chegou pela primeira vez em nossa casa. Hoje, minha menininha escuta todas as noites e sempre adormece escutando a canção Reconhecimento: ‘vem vindo o meu novo ser, cercado de proteção, de tanto amor, tanta paz, dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar’…” No final do encontro Isadora explicou que: “depois do nascimento do bebê, tudo que foi trabalhado durante a gestação deve ser repetido, pois o processo remeterá novamente ao aconchego que o útero proporcionava”. Segundo a musicista, a criança acalantada tende a ser mais calma e comunicativa. O curso exercita delicadamente – até mesmo naquelas que não são mães, como a repórter que vos escreve – a recepção dos ritmos que nos envolve. Os sons comunicam e nos convidam a treinarmos a sintonia, de orelhas e corações bem abertos.
No caso dos bebês, cabe aos pais a condução neste baile tão especial que é apresentar um mundo novo ao seu filho. Até a edição dessa matéria, não sabemos se Giula já viajou em algum trenzinho caipira, como aquele da canção que sua mãe Patrícia a embalava ainda em seu ventre: “Lá vem o trem com o menino/Lá vai a vida a rodar/ Lá vai ciranda e destino /Cidade e noite a girar /Lá vai o trem sem destino /pro dia novo encontrar /correndo vai pela terra/ vai pela serra/ vai pelo mar/ cantando pela serra do luar /correndo entre as estrelas a voar /no ar no ar no ar” O Trenzinho do caipira – (Heitor Villa Lobos)




