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Coito programado com indução da ovulação


Após tantos avanços ainda há espaço para esse tipo de tratamento?

Há muitos anos, quando as técnicas de reprodução assistida começaram a ser utilizadas na prática clínica dos ginecologistas, era comum falar em “coito programado”. Mas o que isso significa?

Coito programado é um tratamento de baixa complexidade, sendo a ovulação induzida por medicamentos (geralmente comprimidos; o citrato de clomifeno é o mais utilizado). No decorrer do tratamento são realizadas ultra-sonografias, geralmente a cada dois ou três dias, para acompanhar a ovulação e, quando essa estiver próxima, o casal é orientado a ter uma relação sexual.

Hoje em dia, o número de recursos disponíveis é muito maior. Já podemos, por exemplo, fertilizar o óvulo no laboratório e transferir o embrião já pronto para o útero da mulher (fertilização in vitro), injetar o espermatozoide artificialmente dentro do óvulo, para garantir uma maior taxa de fertilização (ICSI), e fazer biópsias nos embriões antes de transferi-los ao útero a fim de garantir que não tenham doenças cromossômicas, como a síndrome de Down (PGD).

Afinal, com tantas técnicas avançadas, será que a relação sexual perdeu o lugar?

É claro que nossa resposta depende da causa da infertilidade. Se estivermos diante de um casal que não engravida porque a mulher sofreu uma laqueadura, ou por que apresenta uma endometriose grave, ou de um homem que sofreu uma vasectomia ou não produz espermatozoides (azospermia), é claro que há impedimentos para uma técnica tão simples como o coito programado.

Por outro lado, outros fatores são levados em consideração: um casal fértil em uma relação sexual no período ovulatório tem aproximadamente 20% de chance de engravidar. É por isso que é necessário esperar um ano antes de começar qualquer tratamento: para que o casal tenha a possibilidade de tentar vários meses antes de se afirmar que há algum problema. Se ampliarmos nosso raciocínio para a relação sexual programada, induzida com medicamento e determinada pelo ultra-som no período ovulatório, estaremos diante de uma chance de sucesso em torno de 20%. Pequena, não é?

Diante disso, muitos casais buscam técnicas mais avançadas a fim de garantir resultados mais rápidos. Essa não é uma decisão errada, desde que sejam corretamente orientados por seus médicos e façam uma escolha consciente, mesmo sabendo que uma técnica mais simples também poderia resolver seu problema.

Discutiremos outras situações, como a do casal que ainda não fez nenhum exame, mas que já quer começar a tomar o medicamento para que o resultado seja mais rápido. Essa prática é completamente incorreta, pois é preciso saber, antes de começar a fazer uso do medicamento, se ele é realmente indicado para o caso, pois o medicamento pode trazer inconvenientes à saúde da mulher, como a formação de cistos no ovário.

Pelo mesmo motivo, é indispensável que se controle a tomada do remédio por ultra-sonografias, ao contrário do que se vê com alguma frequência: mulheres que tomam o remédio por seis meses e, caso não tenha funcionado, retornam ao médico.

Por isso, para um caminho mais seguro rumo à concretização do sonho de ter filhos, o bom senso deve sempre ser adotado antes do início de qualquer tratamento.

Dra. Maria Eugênia Simões Onofre de Santi é especialista em ginecologia e obstetrícia. Veja mais em colunistas Materna.

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